> Artigos > “Não tem graça nenhuma convidar um robô para tomar um café”, aponta executivo

“Não tem graça nenhuma convidar um robô para tomar um café”, aponta executivo

Com a transformação digital, diversos setores da sociedade têm se questionado sobre o papel do networking no futuro. A IT4CIO conversou com profissionais para saber como fica a rede de contatos profissional na era tecnológica.

As telecomunicações e todos os dispositivos tecnológicos vigentes têm apontado para uma realidade cada vez mais digital. Nas organizações, as mudanças foram efetivas e trouxeram benefícios, seja pela troca dos mecanismos manuais ou pela automatização de processos. As relações sociais também foram impactadas pelo avanço e desenvolvimento da ciência e tecnologia de massa, que promoveu uma prática de relacionamento baseada na conexão em redes.

No mundo corporativo, o desenvolvimento do networking é uma prática conhecida, que estabelece o relacionamento entre profissionais. A rede pode proporcionar conexões estratégicas, além de promover oportunidades únicas. Durante o desenvolvimento das esferas de trabalho, reflexões sobre a presença do “online” nas relações profissionais levantam discussões na atualidade. As mídias sociais, por exemplo, atuam como fator predominante para a modernização de ferramentas de comunicação dentro do mundo corporativo.

Em 2012 o portal “Business Chief” considerou o Linkedin como a maior rede social profissional do mundo. Segundo o G1, em 2017, a rede chegou a 500 milhões de perfis ativos. Além de permitir o contato e troca profissional, a rede possibilita funcionalidades que podem contribuir para a atualização de profissionais.Recentemente, a Oracle e o Linkedin anunciaram uma parceria para contribuir com a demanda da área de RH, buscando atender com maior eficiência os processos de seleção de candidatos. As duas organizações integraram ferramentas de Human Capital Management Cloud e Taleo Enterprise Edition à plataforma do Linkedin.Networking frente ao mundo digital.

O diretor de tecnologia e inovação do Grupo GR, Eduardo Garlant, graduado em Sistemas de Informação e especialista em Planejamento Estratégico de Tecnologia e em Gestão da Inovação comenta que, assim como todos os processos que estão sendo desenvolvidos e modificados pela tecnologia, o network e todos as suas características também estão sendo reciclados pelos processos tecnológicos.

“A essência do Networking está se perdendo com o avanço do digital. Hoje é fácil adicionar qualquer pessoa no Linkedin, por exemplo, e achar que está fazendo networking, sem que nenhuma mensagem seja trocada. Por mais que eu seja um executivo de tecnologia, não acredito que seja possível existir networking apenas de forma digital, sem o olho no olho, sem o cafezinho, onde é possível entender qual a necessidade do seu colega e de que forma possa existir uma ajuda mútua, deixando de ser um relacionamento frio e formal”.

Para o executivo, as mídias sociais atuam como uma potência no relacionamento entre pessoas, e é através destas plataformas, que interações têm se desenvolvido. Eduardo explicou que apesar de possuir mais de 30 mil seguidores em seu perfil corporativo no Linkedin e de ter uma troca constante de mensagens com outros profissionais, as interações não resultam em networking, elas se apresentam, segundo o profissional, como um desdobramento de relacionamento.

“Se continuarmos fazendo ‘networking’ da forma que estamos, com certeza a essência irá se perder. Esse papel de relacionamento será realizado por robôs com inteligência artificial capaz de identificar o humor da pessoa, podendo assim, oferecer ou não algum serviço de seu portfólio. Isso deve ser percebido e mudado o quanto antes. Não tem graça nenhuma convidar um robô para tomar um café”.

Já o diretor de tecnologia, Euro Ferreira, afirmou que também acredita no potencial de interação e de troca de conhecimentos pelas redes e mídias digitais, porém, o executivo atenta sobre o cuidado com a ética e profissionalismo, assim como os valores essenciais perante as redes sociais. Sobre as interações no mundo digital, Euro afirma que existe uma preocupação na falta de troca e convivência com outras pessoas.

“O cuidado com a verdade dos fatos e o que se pode publicar deveria ser um cuidado. Falar de ética e postura nas redes deveria ser matéria nas escolas. Segurança deve ser sempre uma preocupação e uma forma de alerta aos mais desavisados deveria existir. Acho que desta forma poderemos pensar em um futuro mais tranquilo, neste assunto”, completou.

Para Garlant, a transformação digital se configura como um mindset, no qual é necessário um pensamento inovador para sobreviver frente as novas atualizações do mercado e do futuro. “É importante ressaltar que, por mais que a inteligência artificial já consiga simular um relacionamento parecido com o do ser humano, o contato entre cliente-fornecedor, empresa-colaborador, por exemplo, sempre vai ser essencial. Nenhuma máquina poderá substituir o olho no olho, compreender de fato as necessidades um do outro, por mais automatizados e maduros que a inteligência artificial possa estar. Não podemos correr o risco de transformar o networking, tão fundamental, em algo frio e calculista”, finalizou.

Matéria publicada pelo portal IT4CIO
http://www.it4cio.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *